Tópico: Camiño Português - Valença a Santiago - Junho 2012  (Lida 1839 vezes)

Indy86

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Camiño Português - Valença a Santiago - Junho 2012
« em: Julho 18, 2013, 19:00:02 »
Boa tarde a todos...

Depois de já não vir aqui a algum tempo, hoje tenho uns minutinhos para contar a experiência que foi fazer o caminho...

  • 9 de Junho: Casa até Valença
Foi o dia zero... às 9h estávamos já à espera do comboio para iniciar a viagem até Valença. A troca de comboio no Porto foi pela hora de almoço e aproveitamos para atacar o farnel trazido de casa.
A viagem lá continuou até Valença onde chegámos passava pouco 15h... tivemos que esperar que o albergue abrisse. Enquanto isso deu-se por alí uma volta, e lá nos instalámos. Não levávamos credenciais. Supostamente iriam ser compradas no Porto, pois dormiria lá essa noite. Com a mudança de planos tive que comprá-las no albergue... tive imensa sorte! Supostamente as credenciais estavam esgotadas... nesse dia tinham chegado 3 ao albergue, tivemos a sorte de ficar com 2 (3€ cada)!
Demos a volta à cidade dentro das muralhas, jantámos a diária num restaurante perto do Albergue e fomos dormir cedo. No dia seguinte queriamos saír às 7h. O albergue não estava muito cheio, na nossa camarata estavamos 5 ou 6 pessoas. Até nisso tivemos sorte... a hospitaleira disse-nos que na noite anterior era tanta gente, que houve gente a dormir no chão da sala de estar!  :-\
  • 10 de Junho: Valença a Mós (22Km)
Depois de uma noite mais ao menos bem dormida (estranha-se sempre cama, almofada e afins) levantámo-nos pelas 6h para sair à hora prevista. Foi o 1º dia a arrumar mochila... demora sempre mais. A partir daí parece que se fazem as coisas em metade do tempo! Como ainda havia gente a dormir e não queriamos fazer barulho nem acender luzes, tiramos tudo da camarata, ou supostamente tudo, e viemos até à sala para arrumações! Dei por conta nesse dia à noite que me esqueci de um par de meias ao pé da cama...  ???
Depois do pequeno-almoço tomado, lá nos equipamos com capas da chuva (claro que em Junho é o mais normal!) e pés ao caminho... Lá passamos mais uma vez nas muralhas em direcção à ponte que nos levaria a Espanha. Só passada a ponte nos apercebemos que afinal fizeramos mal as contas! Queriamos sair às 7h, mas alí já eram 8!!!  ;D Em Tui lá fomos até à Catedral onde tivemos que andar à procura de alguém que nos carimbasse as credenciais... nessa procura fomos dar a uns Claustros que supostamente não podem ser visitados. Depois de um padre nos informar disso mesmo, lá nos autorizou a visita (mas só desta vez e sem fotos) e por lá permanecemos mais uns minutos. Ao sair encontramos a senhora que finalmente nos carimbou as credenciais e aí fomos nós!
Lá fomos andando entre paisagens minimamente bonitas até entrar no Polígono Industrial de Porriño! É simplesmente horrível caminhar alí... nunca mais acaba! Deixou-me psicologicamente cansada. Paramos no início de O Porriño para almoçar (deviam ser umas 13h) e seguimos viagem.
A saída de Porriño foi difícil. Está muito mal sinalizada e acabamos por nos "perder". Percebemos que não se viam setas nenhumas e voltamos para tras. Alguns metros antes encontramos um casal de portugueses (a Bi e o Tó) que tinham sido chamados por um Espanhol indicando que eles iam mal... Lá aproveitamos as indicações do Sr. e lá regressámos ao caminho.
Daí até Mós foi um "pulinho", tendo chegado lá por volta das 16h. O albergue é pequeno (16 camas) e tem o mínimo indispensável, mas tornou-se num dos melhores sítios onde ficamos graças à hospitalidade da Flora. Jantamos na sua mercearia (de frente para o albergue) e ainda agora me sabe o esparguete à Bolonhesa que me preparou! Jantámos na amena cavaqueira com um irlandês que também já tinha ficado em Valença. No albergue apenas mais 2 brasileiros, 1 português e 3 espanholas que viemos a perceber depois que tinham serviço de transporte de malas... Pelas 22h30 fomos dormir...
  • 11 de Junho: Mós a Pontevedra (28Km)
Depois de uma noite tranquila, levantamo-nos pelas 6h30, tomamos pequeno almoço e às 7h estávamos a sair. Mais uma vez as capas da chuva fora necessárias, infelizmente! De Mós a Redondela é um verdadeiro rompe pernas, com subidas impressionantes e que puxam pelo cabedal! Fazê-lo com capas de chuva é terrível.
Às 9h estávamos ao lado do albergue em Redondela onde aproveitamos para tomar o 2º pequeno almoço num café bem acolhedor e carimbar a credencial. E aí nos pusemos a caminho, desta vez com menos fotos pois queriamos chegar cedo a Pontevedra. Com a ida até Mós no dia anterior e até Pontevedra neste íamos adiantar um dia na caminhada e iriamos em princípio, apanhar mais peregrinos.
Com o marido em grande desgaste (fisico e psicológico) chegámos a Pontevedra às 13h e fomos directos ao albergue que em meia hora encheu! Tomei um banho quente daqueles que faz bem ao corpo e à alma! Mas também foi a única coisa que teve de bom esta estadia... Fomos almoçar e ao contrário do anteriormente pensado, que era ir visitar Pontevedra, tive que deixar o marido descansar. A muito custo ganhou coragem para irmos às comprar para o jantar e pequeno almoço do dia seguinte. Jantámos e fomos dormir, dizendo-lhe eu que com uma boa noite de descanso ficava fresco!  ::) Mal sabiamos o que ia suceder! Com 40 pessoas na camarata e uma boa meia dúzia de roncadores profissionais, não conseguimos pregar olho!!!
  • 12 de Junho: Pontevedra a Caldas de Reis (21Km)
Visto não conseguirmos dormir e estarmos com uma pilha de nervos daquelas, às 5h levantamo-nos, tomámos pequeno almoço e estávamos a sair ainda antes das 6h. Nesse dia fomos a passo bastante mais lento, pois o meu marido ia bastante desgastado e com uma bolha em cada dedo mindinho...
Inicialmente pensamos acabar a etapa em Briallos, mas passámos por lá às 11h da manhã. Ainda desviamos caminho para tirar uma foto no albergue (que só abria às 16h) e decidimos seguir até Caldas de Reis.
Chegados lá decidimos não ficar no albergue municipal, pois era na certa outra noite perdida e amanhã não conseguiria "arrastar" o meu marido. Ficámos no albergue privado "O Cruzeiro" num quarto só de 2 camas. Valeu bem os 25€ que pagámos! Tomámos banho, lavámos a roupa e fomos almoçar uma "pasta" a um restaurante italiano. Foi uma tarde dada a fotos e passeio. Fomos às compras para o dia seguinte e jantámos o famoso pulpo no restaurante do albergue. Chegada à horinha de dormir, aí fomos nós!
  • 13 de Junho: Caldas de Reis a Herbon (19Km)
Depois de uma noite muitíssimo bem dormida, pusemo-nos a caminho pelas 7h depois de tomarmos o pequeno almoço.
Na noite anterior tinhamos falado na possibilidade de ir a Herbon dormir e não a Padron. Ficou votado por unanimidade que seria assim, por 2 motivos: fugir aos roncadores em Padron e estar num local completamente diferente, segundo o que tinha lido.

Ao sair de Caldas mais um bom bocado sempre a subir... e desta vez novamente com capas! Chegámos à bifurcação do caminho (em Pontecesures) às 11h40. Como não sabiamos o que iríamos encontrar em Herbon e depois de falar com uma senhora que estava nesse momento a sair de casa, resolvemos percorrer um pouco do caminho normal, passar a ponte e almoçar num restaurante à beira rio! No final, voltamos para trás, fizemos um desvio pra ir ao multibanco (que nos deu 1 nota de 50€  :o ) e seguimos para Herbon.
Só vos posso dizer que foi uma excelente opção. Sem saber chegamos no dia de Santo António, padroeiro do mosteiro e havia festa, com tendas de comes e bebes e tudo. Fomos imensamente bem acolhidos pelo Paco (hospitaleiro) que nos indicou que o jantar e o pequeno-almoço eram comunitários e preparados por ele. Também nos indicou que não queria despertadores, peregrino tem que dormir e ele acordarnos-ia quando entendesse. Nessa noite partilhamos o albergue que só tem 20 camas com 5 espanhóis, 1 canadiano, 1 alemã, 1 irlandês e 1 sueco. Foi uma estadia maravilhosa! Aconselho a passarem por lá. Sente-se de uma maneira ainda mais forte o espírito do caminho!
Às 22h o Paco acabou com a festa (o sueco era músico) e mandou toda a gente para a cama...
  • 14 de Junho: Herbon a Santiago (27Km)
Eram 7h10 quando o Paco nos acordou ao som de música calma... foi um despertar muito bom! Passados 20min tinha o pequeno-almoço pronto para tomarmos e nos pormos a caminho. Saímos por volta das 8h e lá fomos na maior das descontrações para a última etapa do camiño (por falta de tempo, se o marido não tivesse que regressar ao trabalho seguiriamos para Finisterra)... Não havia pressas, missa do peregrino só iamos assistir no dia seguinte. Pelo facto de dormirmos em Herbon, hoje teriamos que andar mais 3Km (Km que valeram bem a pena). Chegados a Padron perto das 9h demos com a Igreja ainda fechada... só abria às 10h, não iamos esperar.
Em compensação o Sr. do café D. Pepe II chamou-nos (nessa altura, do grupo que saiu do albergue, ainda estavamos 6 juntos) e lá fomos até ao seu café, que é uma verdadeira catedral de "recuerdos" peregrinos. Fotos da praxe, pediu dolares canadianos ao canadiano em troca de euros, carimbou-nos as credenciais, deixamos o nosso testemunho no livro que tinha para o efeito... alí estivemos uns bons 15min e seguimos viagem.

Foi o único dia em que houve sol aberto e calor... o que me valeu um bruto escaldão nos braços e no pescoço por alguma falta de cuidado.

Quase a chegar a Santiago (faltavam uns 5Km) reencontramos o Tó e a Bia e lá fomos na conversa quase até ao final da viagem... Chegamos a Santiago pelas 15h e fomos procurar acomodação.
Resolvemos ficar numa residencial, pagámos 35€ por um quarto com casa de banho privativa... Tomámos um banhinho, curámos os pés e a partir daí foi aproveitar a estadia em Santiago! A oficina do peregrino estava cheia, resolvemos dar uma volta, almoçar e quando regressámos foi relativamente rápido!
Quando chegámos à Catedral para a ir visitar estava precisamente na hora de fecho, pelo que teria que ficar para a manhã do dia seguinte!

Fomos jantar ao Manolo e toca a ir descansar...
  • 15 de Junho: Santiago até Casa
Acordámos cedo pois queriamos ir à estação de combóio comprar os bilhetes. Depois disso fomos directos à Catedral (já com o quarto entregue e as mochilas às costas) para visitar e assistir à missa do peregrino, onde reencontramos quase todos os que tinham de alguma forma feito o caminho connosco...
No final foi a derradeira despedida, dando força aos que iriam seguir até Finisterra e com muita pena de não seguir também!
E é bem verdade que o camiño nos molda... o meu marido saiu de casa céptico, a dizer que seriam as piores férias da vida dele! Qual não é o meu espanto quando a meio do caminho me disse que tinha pena de não termos tempo para seguir até Finisterra. Apesar de eu ter o desejo de ir, nunca lhe disse, pois sempre achei que não o iria fazer. Agora está combinado que num futuro próximo regressaremos a Santiago para rumar ao Km 0! É verdadeiramente impressionante as mudanças que o camiño nos traz...
E depois de um almoço lá fomos até à estação para regressar a Portugal... depois de muitas horas de viagem, chegamos ao Porto às 22h e o resto do caminho foi feito de carro à boleia com o meu irmão!
E foi esta a nossa experiência do camiño, ao qual espero voltar em breve!  ;)
« Última modificação: Julho 19, 2013, 10:09:16 por Indy86 »